Alguém nos empurrava
e tudo era diferente.
Tudo à nossa volta girava.
Podíamos sonhar.
Voar por entre nuvens de algodão.
Ser eternamente criança.
Ríamos até cansar.
Tudo era um campo de malmequeres.
Não tínhamos relógio
As andorinhas rasgavam o tempo.
O perfume da alegria sentia-se no ar.
Era o baloiço dos sonhos
que hoje recordamos
como sombra que se dissipou.
Era aí que acreditávamos
que os sonhos eram reais.
Ainda hoje queríamos
que alguém nos continuasse a empurrar.
Para novamente voar
para ainda continuar a sonhar.
Agora o recordamos como
àquela velha boneca de trapos
ou como àquele vestido vermelho
que enquanto pode cresceu connosco
era o baloiço dos sonhos
onde tudo era magia e ilusão.
Hoje é o baloiço das memórias
onde tudo apenas é recordação.